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Resenha de Livro: “Os Axiomas de Zurique” de Max Gunther (parte 2)

por | 19 / março / 2019

No artigo anterior, nós começamos a resenha do livro “Os Axiomas de Zurique”, um clássico, com muitos ensinamentos e algumas polêmicas, pra quem gosta de mercado financeiro.
Se você ainda não leu a primeira parte, confira aqui e depois volte para a continuação.

E se você já leu a primeira parte e está louco pra saber sobre os outros axiomas, compartilha e me ajuda a divulgar o meu trabalho e com isso eu poder produzir cada vez mais conteúdos.

 

Pra darmos continuidade, eu quero falar de um dos meus axiomas prediletos que trata DA ESPERANÇA. Ela traz de cara o seguinte conselho “quando o barco começar a afundar, não reze. Abandone-o!
O autor diz que saber sair de uma situação complicada talvez seja o mais raro dos dotes especulativos.
É raro por ser difícil de adquirir. Requer coragem e um tipo de honestidade afiada como uma navalha.
É uma habilidade que diferencia homens e mulheres de meninos e meninas.

E você sabe bem do que estamos falando aqui… é de aceitar o stop!
É de saber sair da operação no momento certo! É de não aceitar perder mais dinheiro porque existe uma mísera chance do mercado voltar e você sair no zero a zero.
É você saber perder!
O autor até mesmo cita que o grande especulador Martin Schwartz diz que só se tornou vencedor, quando aprendeu a perder!

Éhhh meu amigo… saber perder! Você bem sabe que perder $$$ faz parte do jogo.
Ter operações, dias no negativo, tudo isso faz parte.
E saber perder ajuda a explicar por que o profissional do poker, por exemplo, não tem dificuldade em viver do jogo, enquanto o amador quebrará a cara sempre que sentar à mesa para enfrentar profissionais.

 

Ficar preso numa operação perdedora deve ser a maior dor que o dinheiro é capaz de provocar.

 

Esse axioma deixa claro: quando começar a afundar, não espere até a metade estar submersa. Não reze, não espere nada. Não cubra os olhos e fique ali tremendo. Olhe em volta e veja bem o que está acontecendo.
Em todos os casos, a ideia é cortar os prejuízos cedo. Aceite pequenas perdas, para se proteger das grandes.
É melhor tomar um stop de 5% hoje e ter grana pra voltar a operar amanhã do que quebrar a conta hoje e não ter condições de voltar pro mercado.

E pra isso, o stop loss fixo ajuda. Ele poupa você da angústia de ter que decidir quando encerrar cada operação. Depois que você tá dentro da operação, pode ser muito mais difícil decidir isso. É uma estratégia interessante pra te ajudar a se proteger de se autossabotar até você aprender a perder.

 

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O grande obstáculo para isso, em geral, é o medo de se arrepender, o medo de que perdedores virem ganhadores depois de você ter abandonado o barco.
Quando isso acontece, dói.
Se já não aconteceu, cedo ou tarde, é provável que algo assim aconteça pra você. Não há como evitar. Só que com muito maior frequência, uma situação ruim permanece ruim. E nessas horas você pode perder muito dinheiro, pode devolver o lucro de dias, de meses, nessa esperança de não perder. Então, melhor aceitar uma perda dentro do plano do que não ter condições de continuar operando.

E outro obstáculo pra isso é a dificuldade de admitir que você errou. Recusar-se a aceitar que está errado é a mais errada das reações possíveis.
Você não está no mercado pra estar sempre certo, você está aqui para fazer dinheiro, pra fazer as contas fecharem positivas no final do mês.
Então aceite que a sua leitura tava errada, que a entrada não foi boa, aprenda com isso e pronto.

 

O autor diz que você precisa aceitar as pequenas perdas com um sorriso, como fatos da vida. Pode ser que você incorra em várias, enquanto espera um grande ganho.
Idealmente, deveríamos agradecer as nossas pequenas perdas, porque elas nos protegem das grandes. Mas seria pedir muito, né? Então, aceite essas pequenas perdas com elegância.

Ele fala que a atitude mais produtiva – e que sabidamente não é fácil de adotar – é aceitar as pequenas perdas assim como se aceita qualquer outra circunstância menos agradável da vida financeira; como se aceitam, por exemplo, os impostos e as contas de luz. A lenga-lenga de todo ano com a Receita Federal não tem a menor graça, mas ninguém morre por causa disso. Apenas se diz “tudo bem, vamos lá, faz parte da vida, é o preço”.
Tente encarar as pequenas perdas por esse mesmo ângulo.
São partes do custo da especulação.
Através delas é que se compra o direito de esperar os grandes ganhos.

Esse é o meu axioma predileto e eu diria que um dos primordiais pra você entender e seguir como trader!

 

Outro grande axioma fala DAS PREVISÕES, que diz que o comportamento do ser humano não é previsível e que você deve desconfiar de quem afirmar que conhece uma nesga que seja do futuro, e vou incluir junto com ele o axioma que trata DOS PADRÕES, que diz que até começar a parecer ordem, o caos não é perigoso.

E aqui o autor critica ferozmente a previsão do comportamento dos mercados com base em padrões do passado. Em outra palavras, ele mete o pau na análise técnica. Eu não estou dizendo que concordo com ele, estou apenas te trazendo a visão do livro. Eu conheço gente que ganha dinheiro no mercado, que vai muito bem obrigado, só operando por análise técnica, mas pro autor, tentar prever o futuro com base no passado é bobagem.

Ele diz que tentar escapar das preocupações que o mercado traz apoiando-se em previsões é pobreza na certa. Segundo ele, o especulador de sucesso não baseia suas jogadas no que, supostamente, vai acontecer, ele reage ao que realmente acontece.

 

E uma coisa que ele diz – e eu tenho que concordar – é que a fórmula mágica não existe! E não existe mesmo. Ganhar dinheiro no mercado é algo que requer dedicação, estudo, empenho e muita, mas muita disciplina.

Além disso, fórmulas podem estar erradas, mas o mercado nunca está.

Eu adorei que ele diz que discutir com o mercado é como sair numa tempestade de neve, gritando que só deveria nevar no dia seguinte, ou seja, inútil.
E não se deixe hipnotizar pela ilusão de ordem. Seus estudos podem ter aumentado as suas probabilidades, mas não deve ser ignorado o imenso papel que o acaso desempenha no seu projeto.
Então por melhor que seja a sua técnica e a sua estratégia operacional, ainda assim pode dar errado.

E um conselho do autor é: Nunca, jamais perca de vista a possibilidade de ter apostado no cavalo errado!

 

Na mesma linha, ele traz o axioma DA INTUIÇÃO, que diz que só se pode confiar num palpite que possa ser explicado.

Quando lhe ocorrer um palpite (“huuum… eu acho que o dólar vai subir!!!”), a primeira pergunta a fazer é se na sua mente existe um arquivo suficientemente grande de informações capaz de gerá-lo. Embora não saiba nem possa saber exatamente quais sejam as informações relevantes, é plausível achar que existem, que você tem informações suficientes pra achar isso?

Ou é algo do tipo… eu acho que vai subir porque eu acho… é feeling… algo me diz….
Jamais confunda palpite com esperança.

Quando você quer muito alguma coisa, é facílimo passar a acreditar que tal coisa vai mesmo acontecer.

“Ah Luana, mas quer dizer que não existe essa de intuição no mercado financeiro?”
Existe sim!
E muitas pessoas que já operam há bastante tempo, que tem várias horas de tela, que estudam o mercado, dizem ter essa intuição aflorada, mas é porque elas já gravaram no subconsciente muitas informações sobre o ativo, que dá o suporte pra essa “intuição”.
Agora você achar que o dólar vai subir porque você quer que ele suba, ou porque essa foi a análise que fez e quer operar em cima disso, é algo que você precisa tomar cuidado.
Não sonhe com o dinheiro que você vai ganhar!

 

Da mesma forma que você não deve em hipótese alguma apoiar-se no sobrenatural, em Deus, nas leis do universo.
O axioma DA RELIGIÃO E DO OCULTISMO ironiza dizendo que é improvável que entre os desígnios de Deus para o Universo se inclua o de fazer você ficar rico.

O autor diz que apoiar-se no sobrenatural, em previsões, ilusões de ordem, tem a capacidade de atrai-lo para um estado perigosamente despreocupado.

Eu sei que conscientemente você sabe disso, mas e quando tá perdendo? Ainda mais se já fez a burrada de tirar o stop da operação e aumentar a mão sem saber o que tá fazendo, vai me dizer que não rola um “são longuinho, são longuinho, se o preço voltar pra minha entrada eu dou três pulinhos?”
É, meu filho… não adianta!!! Convenhamos que Deus tem coisas mais importantes pra se preocupar do que se o mercado vai ou não pegar o seu stop, né?! Então, nada de virar torcedor e nem religioso que nunca foi a uma missa e assuma que a responsabilidade dos seus atos e resultados no mercado dependem unicamente a você.

 

E outro axioma fala DO OTIMISMO E DO PESSIMISMO.
Muitas pessoas confundem ser otimista com ser confiante, porém existe uma grande e importante diferença que o livro nos traz: o otimismo significa esperar o melhor e a confiança significa saber como se lidará com o pior.

No pôquer, quando um profissional se defronta com uma situação na qual, pelas probabilidades, não deve apostar, ele não aposta. Passa. Abandona o que já pôs na mesa, mas evita perdas maiores e prováveis.
O profissional não tem otimismo, o que ele tem chama-se confiança.
Confiança nasce do uso construtivo do pessimismo.
Confiança não vem de se esperar o melhor; vem de saber como se lidará com o pior.

Quando você entra numa operação de compra, por exemplo, você está otimista que o preço daquele ativo vá subir, não é mesmo? E isso te dá até uma sensação boa, e pode até ser necessário, o problema é que escapando ao controle, isso é capaz de te levar à catástrofe financeira.

Jamais faça uma operação no mercado por puro otimismo.
Suas operações devem estar embasadas em fatos, em técnicas e estratégias operacionais.
Você até pode estar otimista em relação àquela posição, mas tenha sempre a confiança de saber o que fazer caso as coisas forem pro outro lado.

 

Outro axioma fala DO CONSENSO e diz pra você fugir da opinião da maioria pois provavelmente ela está errada.
É o famoso “se afaste da manada” que certamente você já ouvir falar.

O autor diz que é mais provável que a verdade tenha sido encontrada por uns poucos do que por muitos.
Os muitos podem estar certos, mas as probabilidades estão contra eles.

Então pare com o hábito de achar que só porque muitos estão afirmando a mesma coisa que aquilo seja verdade.
É verdade? Talvez sim, talvez não. Descubra você mesmo. Tire suas próprias conclusões.

Eu sei que ir contra a maioria é das coisas mais difíceis do mundo.
Não é fácil nem quando a discussão trata de fatos que podem ser vistos e medidos.
“Tá todo mundo dizendo que Vale vai cair… Bora vender Vale???”
Calma aí…
Jamais embarque nas especulações da moda sem uma boa justificativa.
Falando de ações, com frequência, a melhor hora de se comprar alguma coisa é quando ninguém a quer.

A grande lição aqui é: invista e especule somente por suas próprias razões.

 

E o último grande axioma – e que eu já vou falando logo de cara que é um dos que eu mais discordo com o autor – é o DO PLANEJAMENTO, que diz que planejamentos a longo prazo geram a perigosa crença de que o futuro está sob controle e que é importante jamais levar muito a sério os seus planos a longo prazo, nem os de quem quer que seja. E que no que se refere a dinheiro, tudo que precisa em matéria de planejamento a longo prazo é da intenção de ficar rico.
E nesse ponto eu discordo.

A grande maioria das pessoas bem-sucedidas que eu conheço tinham e tem um plano a longo prazo. O plano é aquilo que te dá um norte, te motiva a agir, te guia pra você analisar se está no caminho certo ou não. É o que permite você fazer as correções e melhorias ao longo do caminho. Mas é claro que esse precisa ser um plano bem elaborado, com metas claras e objetivas, com prazos, aplicando sempre a melhoria contínua a cada passo e deixando margem pros contratempos e pras imprevisibilidades.

O plano, ao meu ver, deve sim existir, mas você precisa desenvolver a habilidade de se adaptar e modificar o necessário ao longo do caminho.

 

E esses são os axiomas de Zurique e foram alguns dos insights para trazer para a realidade do trader de hoje em dia, com o foco em desenvolvimento do mindset adequado ao trading.

Agora aproveita e deixa aqui o seu comentário dizendo o que achou do livro, se leu, se não leu, se concorda, discorda.
Escreve aí se gostou de eu ter trazido uma resenha nesse formato.
Ah, e compartilha esse artigo para levar esse conhecimento pra mais e mais pessoas.


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